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O Que é Pago na Rescisão Sem Justa Causa e Quais São os Direitos

Na rescisão sem justa causa, o trabalhador recebe saldo de salário, férias proporcionais, 13º, aviso prévio, FGTS e multa de 40%.

Quando ocorre uma rescisão de contrato de trabalho sem justa causa, o empregado tem direito a receber uma série de verbas trabalhistas previstas na legislação brasileira. Essas verbas visam garantir uma compensação pela dispensa e oferecer suporte financeiro enquanto o trabalhador busca uma nova colocação no mercado.

Iremos detalhar o que é pago na rescisão sem justa causa e quais são os direitos do trabalhador nesse cenário. Abordaremos cada verba rescisória, explicando suas características, forma de cálculo e prazos para pagamento, além de esclarecer dúvidas comuns sobre o tema.

Quais são as verbas pagas na rescisão sem justa causa?

Ao ser dispensado sem justa causa, o empregado tem direito a receber as seguintes verbas rescisórias:

  • Saldos de salário: Valor proporcional aos dias trabalhados no mês da rescisão;
  • Aviso prévio: Pode ser indenizado (pagamento sem cumprimento do período) ou trabalhado, com duração mínima de 30 dias, acrescidos de 3 dias por ano trabalhado (até 90 dias no total);
  • Férias vencidas e proporcionais: Pagamento das férias adquiridas e, se aplicável, das proporcionais, acrescidas de 1/3 constitucional;
  • 13º salário proporcional: Corresponde aos meses trabalhados no ano da rescisão;
  • Multa de 40% do FGTS: Incide sobre todo o saldo depositado no FGTS durante a vigência do contrato;
  • Liberação do FGTS: Direito de sacar o saldo depositado no FGTS;
  • Saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS): Embora o empregador não seja obrigado a pagar esse valor na rescisão, ele deve liberar o saque do empregado;
  • Outros direitos específicos: Podem incluir verbas como horas extras, adicionais, comissões, dependendo do caso.

Detalhes importantes sobre os direitos na rescisão sem justa causa

Para além do pagamento dessas verbas, é fundamental que o empregador cumpra os prazos legais para a quitação da rescisão, que são:

  • Se o aviso prévio for cumprido, a rescisão deve ocorrer no primeiro dia útil após o término do aviso;
  • Se o aviso for indenizado, o pagamento deve ser realizado em até 10 dias corridos após a comunicação da dispensa.

O não cumprimento destes prazos pode gerar uma multa para o empregador, conforme o Art. 477 da CLT.

Exemplo prático de cálculo da rescisão sem justa causa

Um empregado com um salário mensal de R$ 2.500,00, que trabalhou 3 anos e foi dispensado sem justa causa, teria direito a:

  • Saldos do salário referente aos dias trabalhados no mês da dispensa;
  • Aviso prévio indenizado de 30 dias + 3 dias por ano de trabalho (30 + 9 = 39 dias);
  • Férias vencidas + proporcionais com acréscimo de 1/3;
  • 13º salário proporcional pelos meses trabalhados no ano da rescisão;
  • Multa de 40% sobre o saldo do FGTS acumulado;
  • Liberação para saque do saldo depositado no FGTS.

Compreender o que é pago na rescisão sem justa causa e quais são os direitos do trabalhador garante mais segurança tanto para o empregado quanto para o empregador durante o processo de desligamento.

Como é Calculado o Aviso Prévio na Rescisão Sem Justa Causa

O aviso prévio é um dos direitos trabalhistas mais importantes quando ocorre a rescisão do contrato de trabalho sem justa causa. Ele tem como objetivo garantir uma transição justa para o empregado, oferecendo um período para que ele busque uma nova colocação no mercado ou para que a empresa organize sua saída.

Mas afinal, como é calculado o aviso prévio? A resposta depende de alguns fatores, como o tempo de serviço do empregado na empresa, e pode ser dividido em duas modalidades: aviso prévio trabalhado e aviso prévio indenizado.

1. Aviso Prévio Trabalhado

Quando o empregado desempenha suas funções durante o período do aviso prévio, o cálculo consiste em:

  • 30 dias obrigatórios para todos os contratos;
  • Acrescimo de 3 dias por ano completo de trabalho na empresa, até o máximo de 90 dias adicionais.

Ou seja, o aviso prévio pode chegar até 90 dias no total, quando o trabalhador tem 20 anos ou mais na empresa (30 dias + 60 dias).

Exemplo prático: Se um funcionário com 5 anos de trabalho na empresa for demitido sem justa causa, ele deverá cumprir 30 dias + (5 × 3) = 45 dias de aviso prévio trabalhado.

2. Aviso Prévio Indenizado

Quando a empresa dispensa o empregado imediatamente, sem exigir o cumprimento do aviso prévio, o salário correspondente a esse período deve ser pago como aviso prévio indenizado. Ou seja, o empregador paga pelo tempo que o funcionário deixaria de trabalhar.

  • Isso significa que, no exemplo anterior, a empresa pagará o equivalente a 45 dias de salário ao trabalhador, sem exigir que ele cumpra o período.

Como calcular o valor do aviso prévio

O cálculo do valor do aviso prévio engloba o salário base mais adicionais, tais como:

  • Horas extras;
  • Comissões;
  • Adicional de periculosidade ou insalubridade;
  • Gratificações habituais.

É importante saber que benefícios não habituais, como prêmios pontuais, não devem ser incluídos.

Tabela de Aviso Prévio por Tempo de Serviço

Tempo de ServiçoDias de Aviso Prévio
Até 1 ano30 dias
2 anos33 dias
5 anos45 dias
10 anos60 dias
20 anos ou mais90 dias

Dicas para Empregadores e Empregados

  • Empregador: É fundamental respeitar o cálculo correto do aviso prévio para evitar ações trabalhistas que podem resultar em multas e indenizações.
  • Empregado: Fique atento ao seu contrato e à justa aplicação do aviso prévio, garantindo que seus direitos sejam respeitados, especialmente o pagamento de direitos proporcionais.

Estudo de Caso Real

Em 2022, ocorreu um caso emblemático em São Paulo onde um funcionário com 8 anos de trabalho não teve o aviso prévio indenizado corretamente pela empresa. A Justiça do Trabalho concluiu que ele tinha direito a 54 dias de aviso (30 + 24), incluindo o pagamento integral, o que impactou as finanças da organização em mais de R$ 15 mil de diferença — um alerta importante sobre a necessidade de se fazer o cálculo preciso.

Portanto, compreender e aplicar o cálculo de aviso prévio corretamente é essencial para uma rescisão amigável e dentro da legalidade.

Perguntas Frequentes

O que é rescisão sem justa causa?

É quando o empregador encerra o contrato de trabalho sem que o empregado tenha cometido falta grave.

Quais são os direitos do empregado na rescisão sem justa causa?

Direito ao saldo de salário, aviso prévio, férias proporcionais, 13º salário proporcional, FGTS com multa de 40% e seguro-desemprego.

O empregado tem direito ao aviso prévio?

Sim, o aviso prévio é obrigatório e pode ser trabalhado ou indenizado.

Como é calculado o FGTS na rescisão sem justa causa?

O empregador deve depositar a multa de 40% sobre o total do FGTS acumulado durante o contrato.

Posso sacar o FGTS após a rescisão sem justa causa?

Sim, o saque é permitido após a rescisão sem justa causa, juntamente com a multa rescisória.

Quais documentos são necessários para rescisão?

Termo de rescisão do contrato de trabalho, extrato do FGTS, guias para saque e seguro-desemprego.

Pagamento na Rescisão Sem Justa CausaDescriçãoObservações
Saldo de salárioPagamento pelos dias trabalhados no mês da rescisãoProporcional aos dias trabalhados
Aviso prévioValor referente a 30 dias ou mais, conforme tempo de serviçoPode ser indenizado ou trabalhado
Férias proporcionais + 1/3Pagamento proporcional às férias vencidas e proporcionaisInclui adicional constitucional de 1/3
13º salário proporcionalProporcional aos meses trabalhados no anoPago na rescisão
Multa do FGTS (40%)Multa sobre o saldo do FGTS depositado pelo empregadorObrigatória na rescisão sem justa causa
Saque do FGTSPermissão para sacar todos os valores depositadosLiberado após rescisão sem justa causa
Seguro-desempregoBenefício pago pelo governo ao trabalhadorRequer cumprimento de critérios específicos

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